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Pensamentos de uma mente atormentada.









Segunda, 15 de Fevereiro de 2010, 22h20min

A noite de ontem estava normal até encontrá-lo. Voava lentamente em direções caóticas como outros. Parecia apenas mais um. Pois bem, PARECIA. Antecipei o futuro, deveria matá-lo antes de ser sugado. Levantei e me coloquei em posição de ataque. Não perdi oportunidades de desferir golpes fatais, muitos deles em vão até finalmente observar seu cadáver sobre o piso de cerâmica branca.

Cinco minutos se passaram quando observei um novo inimigo à espreita. Droga, como pode entrar tanto pernilongo assim? -- pensei. Ainda extasiado pela vitória anterior me levantei para abater mais um oponente. Algo porém me causou estranheza... Onde estava o pequeno cadáver?

Procurei por todos os lugares, mas nem sinal dele. Não pode ser... O golpe que pensei ter sido fatal causou apenas um breve desmaio. Será que existe isso? Será que o pernilongo desmaiou ou estava apenas se fingindo de morto para escapar da morte certa? Seria ele tão inteligente assim? Mesmo temendo pelos efeitos da minha decisão deixei ele viver.

Era apenas mais uma história para cair no esquecimento se ele não aparecesse hoje novamente. De cara não imaginei ser ele. Novamente parti para o ataque. Dezenas de golpes e ele, mesmo voando lentamente conseguiu ser mais veloz e preciso do que minhas mãos. Encurralei-o e fiquei esperando baixar de altitude até poder ser engajado pela minha artilharia anti-aérea. Por incrível que pareça me distraí três segundos com um cocô de mosca no teto e ele novamente escapou.

Voltei ao computador e logo ele passa na minha frente, em tom jocoso, como quem canta vitória antes do final do jogo. Coloquei em ação meu último golpe antes dessas últimas palavras. Não tenho certeza se o matei, não encontrei seu exoesqueleto adamantino. Mas uma coisa é certa, se ele for o Super-Pernilongo, só mesmo o Homem-Aranha poderá pegá-lo.

Deleterium   | |   Nada ainda.

Quinta, 04 de Fevereiro de 2010, 03h08min

Em um passado não muito distante a luz dos três monitores clareavam o telefone quando ele chamou. Era a Sheila me convidando para tomar uma cervejinha num bar. Não tive dúvidas em aceitar o convite mesmo sendo pouco depois das onze da noite.

O taxista não sabia onde ficava o local, dei as dicas baseado no google maps. No suposto lugar meu primeiro susto: uma Maseratti estacionada. Pensei pronto que só ia dar ricão mega abastado... Tive a certeza disso quando, do outro lado, havia uma BMW brilhando de nova. Brinquei com o taxista, dizendo que já tinha chegado até ali e que naquela noite eu iria até o final.

Na minha frente, na fila, apenas quatro estrangeiros. Falavam português carregado e perguntavam quanto custaria para entrar. Quando ouvi a resposta senti a explosão de uma granada na minha janela dos fundos: R$ 1500,00 de consumação por uma mesinha VIP. Por sorte, e por muita sorte mesmo, fiquei esperando alguem sair para poder entrar. A Sheila me liga e explico a situação. Ela resolve sair do bar para me ver.

Visivelmente muito embriagada, logo ela lança uma terrível frase para mim, que já pensava em ir pra casa:

--Hoje eu quero dormir com você.

Logo naquela situação? Mas me mantive firme em ir até o final. Apenas inventei uma história triste para justificar que eu não poderia ficar muito tempo, afinal meu voo partiria logo cedo e eu nem havia preparado minhas malas! Ela voltou ao bar e pagou a conta.

Entramos no táxi que nos levaria até a casa dela. Ela disse o endereço, no Méier... O taxista retruca dizendo que sairia 60 reais. Ela aceita e diz que eu pagarei a corrida. Ao menos tinha economizado a entrada no bar, nao é mesmo? No pequeno caminho de 20 km ela dorme ao meu lado. Próximo à casa dela eu a acordo. Ela nem sabia onde era a casa dela. Achei estranho... Comecei a suspeitar até de um sequestro.

Chegamos no local. A melhor definição que encontrei foi que tinha chegado na vila do Chaves. A chave estava sob o vaso de flor. Dentro da casa ela não sabia onde ficava o interruptor. Me assustei mesmo quando ela acendeu a luz e a casa estava uma bagunça. Borrei a cueca: só pensava no sequestro, acordar sem um rim numa banheira de gelo, ou pior, perder a virgindade anal sem lembrar se foi bom ou ruim.

Havia uma televisão, um sofá-cama, umas roupas sujas ao lado do sofá e lixo do outro lado. Quando ela puxou o sofá a maior surpresa: DUAS baratas saíram correndo e se esconderam. Entrei num dilema sobre o que faria. Optei por ficar quieto e não precisar perseguir e matar aquelas baratas.

Ela foi tomar banho e eu mandei uma mensagem pra minha irmã, dizendo o endereço e que mandaria notícias no outro dia se estivesse bem. Fingi que estava dormindo e fiquei ali, pensando sobre a razão da vida, a vida das baratas e todos os demais pensamentos que consegui pensar das 2h30m até as 4h30m, quando finalmente me rendi a um leve cochilo. Alguns minutos depois, já perto das 6h, saí de la antes que ela acordasse. Tchau e bênção!

Deleterium   | |   Nada ainda.


Otimizado para navegadores Mozilla. Não gostou? Só lamento...