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Pensamentos de uma mente atormentada.








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Sábado, 14 de Novembro de 2009, 23h25min

Rico's Lanches

Depois de um agradável por-do-sol na Estação das Docas e de conversar com músicos da ilha de Mosqueiros que tocam chorinho resolvi voltar para o albergue. Mas não iria dar dinheiro pra esses taxistas marrentos, voltaria de ônibus.

Fiz uma sondagem e não parecia tão perigoso, cheguei até a ver uma família andando ali perto do Ver-O-Peso.

No ponto, era só pegar qualquer um que estivesse escrito Nazaré. Menos de um minuto depois chega um homem pra falar comigo.

--Muito perigoso esses rapazes andando de patins agarrados nos ônibus...

--É.

--É só ele cair e a roda de trás passa por cima dele.

--Aham.

--Está vendo isso aqui? -- O homem mostra o braço meio destroçado.

--Foi um ônibus que me atropelou.

Nessa hora já comecei a pensar que tinha sido idiota de não pegar um táxi, afinal eu seria roubado apenas em 10 reais. Pensei também no cara me pedindo dinheiro pro tratamento do braço, pedindo pra eu passar a grana, etc...

--Mas beleza cara, meu ônibus chegou!

Nem sei que porra de ônibus era aquele, só sei que foi o primeiro ônibus que parou.

Agora eu tinha outro problema, não sabia onde eu ia parar. Após alguns minutos tive a certeza que aquele ônibus não me levaria para onde eu queria. Por sorte vi um táxi parado numa esquina e desci no próximo ponto. Mas esses taxistas marrentos sempre me fodem, o táxi estava sem ninguem dentro. Ví o que parecia ser um bar na outra esquina e me dirigi até lá.

Era uma barraquinha de cachorros-quentes. Sentei nas tradicionais cadeiras de plástico e reparei no ambiente agradável. Na barraquinha dele havia um pernil pendurado, do qual ele tirava nacos para colocar nos sanduíches e provavelmente também ganhava dinheiro vendendo larvas de moscas. Havia uma espécie de garagem usada como armazém dos produtos. Lá consegui ver além de muito mofo nas paredes, sacos plásticos parecidos com aqueles que eu vi na reportagem do Brasil Urgente sobre o abatedouro clandestino de cachorros para lanchonetes coreanas. Veja a reportagem. O atendimento não deixava a desejar. Pedi uma coca pro Rico, que só não jogou a garrafinha lá de dentro porque eu era cliente novo que precisava ser bem tratado, saca?

O importante é que eu estava num lugar SEGURO e poderia chamar um táxi safado para me levar de volta ao albergue. Eu só precisava saber onde eu estava.

--Kelly, quanto custa a coca? -- Perguntei pois ela parecia ser menos hostil que o Rico.

--Dois reais.

--E qual o nome dessas ruas?

--Aqui é a Tupinambás com a Caripunas.

--Tupinapáscomcarioquê?

--Tupinambás com Caripunas -- disse ela quase rindo.

--Ah, tupinampás comcaribunas.

Não sei o porquê, mas ela deve ter achado que meu corte de cabelo estava engraçado, pois ela saiu rindo... Mas fiquei repetindo mentalmente aqueles fonemas que não faziam sentido nenhum pra mim, mas que repetidos para o rádio táxi poderia me salvar daquela situação.

--Alô, gostaria de pedir um táxi para a esquina das ruas tupinampás comcaribunas (tomara que ela entenda, tomara que ela entenda).

--Sim, é prédio?

--Não não, é uma lanchonete.

--Qual o nome do estabelecimento?

--Rico's Lanches.

--Só um minuto... ... ... ... É uma barraquinha de cachorro-quente?

--É, acho que é.

--Aguarde que em cinco minutos o táxi estará no local.

--Obrigado.

E foi assim que eu descobri mais um lugar para nunca voltar.

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Sexta, 13 de Novembro de 2009, 15h42min

Taxi do aeroporto: garantia de roubalheira

Pois bem, depois de anos de viagem adquiri experiência para, pelo menos algumas vezes, não ser logrado por taxistas do aeroporto. Nesta quinta-feira não foi diferente. Vamos aos fatos.

Cheguei ao postinho de taxi credenciado e uma mulher bastante simpática me atendeu. Perguntei logo como funcionava, e ela muito solícita disse que era como taxis normais, com tarifas normais, só que credenciados para o aeroporto. Fiquei feliz e me convenci a pegar um deles. Meu destino era o hotel Ibis aeroporto, distante cerca de DOIS QUILOMETROS.

Ao adentrar o recinto já não vi o taxímetro. Porém com um olhar mais atento percebi que ele se encontrava junto ao para-sol do carona. O nosso amigo taxista saiu andando com o táxi, onde ocorreu a seguinte conversa:

--O senhor não vai ligar o taxímetro?

--Daqui para o Ibis são 15 reais.

--Eu falei com a agente do posto do táxis credenciados e ela falou que a corrida é com taxímetro.

--Mas ali para o Ibis são 15 reais.

--Mas eu falei com a moça lá e ela disse que era com taxímetro.

Finalmente ele liga o taxímetro muito a contra gosto. Eu já estava pensando em cancelar a corrida. No total foram quase nove reais. Ainda dei 10 pra ele não ficar com o bico muito grande.

Impressionante a dificuldade desses caras ganharem o dinheiro deles de forma honesta.

***

Agora vejam só essa outra história. Peguei um táxi bandalha que me fez 20 reais uma corrida. Aceitei pois eu sabia que custaria uns 15, 17. Quando chegamos na baladinha, o bandalha me dando dicas de como não ser roubado pelo taxista que me levaria pro hotel... É, bandalha que é bandalha ainda sacaneia os outros bandalhas!

Deleterium   | |   3 comentários


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